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O Vai-Vai já revelou ao público e a sua comunidade hoje às 20h, por meio de um evento à imprensa e em todos os seus veículos de comunicação oficiais o enredo que levará para o Carnaval 2027 e, mais uma vez, nossa escola reafirmará sua identidade como guardiã da cultura popular, da ancestralidade afro-brasileira e do samba como território de memória e resistência. Sob o título ?3 Obás de Xangô ? A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias?, o enredo homenageará três gigantes da cultura brasileira: Dorival Caymmi, Carybé e Jorge Amado.


Assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e Victor Santos, o desfile nasce inspirado pelo documentário homônimo dirigido por Sérgio Machado e propõe uma viagem espiritual, artística e cultural pelas raízes da Bahia, seus terreiros, sua musicalidade, sua literatura e sua força ancestral, indimamente aprovado e autorizados pelas 3 famílias.




O que significa ?3 Obás de Xangô??

Na tradição do Ilê Axé Opô Afonjá, os Obás de Xangô representam guardiões do axé no mundo dos homens. São figuras escolhidas para proteger, preservar e expandir os saberes ancestrais. É nesse fundamento que o Vai-Vai constrói o enredo de 2027: Caymmi, Carybé e Jorge Amado surgem como três sentinelas da cultura brasileira, artistas que traduziram a Bahia para o mundo através da música, da pintura e da palavra.

A sinopse oficial explica que o Vai-Vai ?pede Agô às forças da terra e do céu? para transformar a avenida em terreiro e reafirmar seu papel histórico de escola do povo, herdeira da resistência negra e da memória coletiva.


Dorival Caymmi: o mar, a fé e a eternidade

No segundo setor do desfile, o Vai-Vai mergulhará nas águas poéticas de Dorival Caymmi, o Obá Onikoyi. Sua obra traduz o mar, os pescadores, o banzo, os amores, a saudade e a espiritualidade baiana. Caymmi não apenas cantou a Bahia: ele ajudou a eternizá-la na memória afetiva do Brasil.

A narrativa também passa pelo Gantois e pela força de Mãe Menininha, conectando música e religiosidade afro-brasileira em um ambiente onde o sagrado se mistura ao cotidiano do povo em um contexto já conhecido pela comunidade da Saracura.


Carybé: a Bahia desenhada em movimento

O terceiro setor homenageia Carybé, artista argentino naturalizado baiano que transformou Salvador em uma explosão de traços, cores e ancestralidade. Pintor, escultor, muralista e pesquisador, Carybé registrou as ruas, os terreiros, os sambas de roda, a capoeira e os gestos simples do povo baiano como poucos artistas conseguiram fazer.

No enredo do Vai-Vai, Carybé aparece como aquele que desenhou o invisível e revelou os orixás entre os homens, eternizando a Bahia como território vivo de memória e diversidade.


Jorge Amado: a palavra que virou povo

O quarto setor apresenta Jorge Amado, Obá Arolu, escritor que transformou a Bahia em literatura universal. Em suas páginas vivem o cais, o dendê, o Pelourinho, os mercados, os terreiros e o povo preto brasileiro em toda sua potência.

A relação entre Jorge Amado e o Vai-Vai é histórica. Em 1988, conquistamos o Carnaval paulistano com o inesquecível enredo ?Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira?, samba eternizado na memória de toda Nação Alvinegra. Agora, quase quatro décadas depois, o escritor retorna à avenida em uma nova leitura, ainda mais conectada às raízes espirituais e culturais da escola.

A sinopse também estabelece paralelos emocionantes entre o Bixiga e a Bahia, entre o Rio Saracura e o Rio Vermelho, mostrando que certas memórias nunca desaparecem: apenas mudam de lugar.


O Vai-Vai como guardião da cultura afro-brasileira

Mais do que contar uma história, o enredo de 2027 reafirma o Vai-Vai como uma das maiores referências culturais do Carnaval brasileiro. Nossa escola transforma a avenida em espaço de afirmação, resistência e celebração da identidade negra.

Como destacam os carnavalescos Alexandre Louzada e Victor Santos, o desfile é ?uma narrativa quase subjetiva do próprio Vai-Vai: uma história de arte, amor, resistência e fé?.

Em 2027, o Bixiga encontrará a Bahia sob as bênçãos de Xangô. O samba encontrará a ancestralidade. E a Escola do Povo, mais uma vez, levará para a avenida aquilo que nunca deixou morrer: a memória viva do povo brasileiro.